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Oxum

12 de julho de 2010

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Orê Yeyê ô!

Oxum era muito bonita, dengosa e vaidosa.
Como o são, geralmente, as belas mulheres.
Ela gostava de panos vistosos, marrafas de tartaruga e tinha, sobretudo, uma grande paixão pelas jóias de cobre.
Antigamente, este metal era muito precioso na terra dos iorubas.
Só uma mulher elegante possuía jóias de cobre pesadas.
Oxum era cliente dos comerciantes de cobre.

Omiro wanran wanran wanran omi ro!
“A água corre fazendo o ruído dos braceletes de Oxum!”

Oxum lavava suas jóias antes mesmo de lavar suas crianças.
Mas tem, entretanto, a reputação de ser uma boa mãe e atende as súplicas das mulheres que desejam ter filhos.
Oxum foi a segunda mulher de Xangô.
A primeira chamava-se Oiá-Iansã e a terceira Obá.
Oxum tem o humor caprichoso e mutável.
Alguns dias, suas águas correm aprazíveis e calmas, elas deslizam com graça, frescas e límpidas, entre margens cobertas de brilhante vegetação.
Numerosos vãos permitem atravessar de um lado a outro.
Outras vezes, suas águas tumultuadas passam estrondando, cheia de correntezas e torvelinhos, transbordando e inundando campos e florestas.
Ninguém pode atravessar de uma margem para a outra, pois nenhuma ponte faz a ligação.
Oxum não toleraria uma tal ousadia!
Quando ela está em fúria ela leva para longe e destrói as canoas que tentam atravessar o rio.
Olowu, o rei de Owu, ia para a guerra seguido de seu exército.
Por infelicidade, tinha que atravessar o rio um dia em que este estava enfurecido.
Olowu fez a Oxum uma promessa solene, entretanto, mal formulada.
Ele declarou:
“Se você baixar o nível de suas águas, para que eu possa atravessar e seguir para a guerra, e se eu voltar vencedor, prometo a você nkan rere”, isto é, boas coisas.
Oxum compreendeu que ele falava de sua mulher, Nhan, filha do rei de Ibadan.
Ela baixou o nível das águas e Olowu continuou sua expedição.
Quando ele voltou, algum tempo depois, vitorioso e com um espolio considerável, novamente encontrou Oxum com o humor perturbado.
O rio estava turbulento e com suas águas agitadas.
Olowu mandou jogar sobre as vagas toda sorte de boas coisas, as nkan rere prometidas:
Tecidos, búzios, bois, galinhas, escravos;
Mel de abelhas e pratos de mulukun, iguarua onde misturam-se suavemente cebola, feijão fradinho, sal e camarões.
Mas Oxum devolveu todas as coisas boas sobre as margens. Era Nkan, a mulher de Olowu, que ela exigia.
Olowu foi obrigado a submeter-se e jogar a sua mulher nas águas.
Nkan estava grávida e a criança nasceu no fundo do rio.
Oxum, escrupulosamente, devolveu o recém-nascido dizendo:
“É Nkan que me foi solenemente prometida e não a criança. Tome-a!”
As águas baixaram e Olowu voltou tristemente para sua terra.
O rei de Ibadan, sabendo do fim trágico de sua filha, declarou indignado: “Não foi para que ela servisse de oferenda a um rio que eu a dei em casamento a Olowu!”
Ele guerreou com o genro e o expulsou do país.

O rio Oxum passa em um lugar onde suas água são sempre abundantes.
Por esta razão é que Larô, o primeiro rei deste lugar, ai instalou-se e fez um pacto de aliança com Oxum.
Na época em que chegou, uma das sua filhas fora banhar-se.
O rio a engoliu sob as águas.
Ela só saiu no dia seguinte, soberbamente vestida, e declarou que Oxum a havia bem acolhido no fundo do rio.
Larô, para mostrar sua gratidão, veio trazer-lhe oferendas.
Numerosos peixes, mensageiros da divindade, vieram comer, em sinal de aceitação, os alimentos jogados nas águas.
Um grande peixe chegou nadando nas proximidades do lugar onde estava Larô.
O peixe cuspiu água, que Larô recolheu numa cabaça e bebeu, fazendo, assim, um pacto com o rio.
Em seguida, ele estendeu suas mãos sobre a água e o grande peixe saltou sobre ela.
Isto é dito em ioruba: Atewo gba ejá.
O que deu origem a Ataojá, titulo dos reis do lugar.
Ataojá declarou, então:
Oxum bgô!
“Oxum está em estado de maturidade, sua águas são abundantes.”
Dando origem ao nome da cidade de Oxogbo.
Todos os anos faz-se, ai, grandes festas em comemoração a todos estes acontecimentos.

Bibliografia:
Livro: Lendas Africanas dos Orixás
Autor: Pierre Fatumbi Verger
Ilustração: Carybé
Tradução: Maria Aparecida da Nóbrega
Editora: Corrupio

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